Entre o toque humano e o toque na tela

    Me chamo Rosiene e nasci em um tempo curioso: 1999. Era como se o mundo estivesse prestes a apertar um botão invisível e tudo mudar — mas ninguém sabia exatamente como. Minha infância começou de forma analógica, quase ingênua, e foi sendo atualizada aos poucos, como um sistema que aprende enquanto roda.

    Lembro das primeiras memórias com tecnologia: a televisão de tubo, pesada, ocupando espaço na sala como um trono... ah essa televisão foi relíquia viu. Os desenhos tinham hora certa, e perder um episódio era aceitar o destino. O telefone ainda tinha fio, e a internet… bem, a internet era um luxo barulhento, que cantava antes de conectar e pedia licença para existir.


    No começo dos anos 2000, o computador virou um portal. Não era rápido, nem sempre funcionava como deveria, mas era mágico. Joguinhos simples, CDs, programas instalados com cuidado. A internet discada ensinava paciência: ou você navegava, ou alguém usava o telefone. Os dois, era impossível. Aos poucos, tudo começou a acelerar. Surgiram as lan houses, onde o tempo era contado em moedas e a diversão em minutos. Era lá que a gente descobria que o mundo era maior do que o bairro. 

    Então vieram os celulares. No início, serviam só para ligar e mandar mensagens curtas. Cada caractere tinha valor. Não existia esse fluxo infinito de conversa — havia pausas, silêncios, expectativa. E, de repente, sem perceber direito quando foi, tudo mudou de vez. Os celulares ficaram inteligentes, a internet ficou constante, e o mundo coube na palma da mão. Aquilo que antes exigia esforço — esperar, procurar, tentar — virou imediato. Um toque, e pronto.

    Cresci junto com essa transformação. Aprendi a brincar na rua e, depois, a navegar em redes. Vivi a transição entre um mundo que ensinava a esperar e outro que não sabe mais o que é isso.Hoje, olhando para trás, percebo que minha infância foi uma ponte. Comecei em um tempo em que a tecnologia era descoberta; cresci em um tempo em que ela virou necessidade; e vivo agora em um tempo em que ela é extensão de quem somos.

Comentários

  1. É verdade! A tecnologia hoje é praticamente uma extensão de quem somos!! Existe um eu virtual de cada um de nós!!

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